quinta-feira, 23 de junho de 2016

500 Buddha Mah'Osadha ( cont. )





             ( Os cinco sábios em pintura de Ajanta, Índia. Mah'Osadha à direita )


500
Pleno de sabedoria… etc.” - Continuação com a Questão do Pobre e do Rico do Jataka 546, o penúltimo, história de Mah’Osadha e Amara que se reproduz em partes nos Jatakas 110, 111, 112, 170, 192, 364, 350, 387, 402, 452, 471, 500, 508, 515, 517, 518.

Mas Rainha Udumbara sabia que os outros conseguiram o conhecimento da questão através do sábio ; e ela pensou, “O rei deu o mesmo prêmio para todos os cinco, como uma pessoa que não vê diferença entre ervilhas e feijões. Com certeza meu irmão deveria ter tido um prêmio especial.” Então ela foi e perguntou ao rei,” Quem descobriu o enigma para ti, senhor ?” “Os cinco sábios, senhora.” “Mas meu senhor, através de quem os quatro tomaram conhecimento ?” “Não sei, senhora.” “Senhor, o quê aqueles senhores sabem ! Foi o sábio – que não desejava que estes tolos se arruinassem por causa dele e os ensinou a solução. E depois você deu o mesmo prêmio para todos os cinco. Isto não é justo ; deves fazer uma distinção ao sábio.” O rei ficou feliz que o sábio não revelou que tiveram conhecimento através dele e desejoso de dar a ele um prêmio ainda maior, ele pensou, “Deixa estar : vou perguntar a meu afilhado outra questão e quando ele responder lhe darei um grande prêmio.” Pensando nisto ele acertou a Questão do Pobre e do Rico.

Um dia quando os cinco sábios vieram até ele e quando estavam sentados confortavelmente, o rei disse, “Senaka, perguntarei uma pergunta.” “Pergunte, senhor.” Então ele recitou a primeira estrofe da Questão do Pobre e do Rico :

Pleno de sabedoria e despojado de riqueza, ou rico e sem sabedoria – pergunto a vocês esta questão, Senaka : qual destes dois, pessoas inteligentes consideram a melhor ?

Bem, esta questão foi transmitida de geração em geração na família de Senaka e então ele respondeu prontamente :

Verdadeiramente, Ó rei, sábios e tolos, pessoas educadas e não educadas, prestam serviço ao rico, sejam bem nascidos ou de casta baixa. Olhando isto digo : O sábio é medíocre e o rico é melhor.

O rei escutou esta resposta ; e então sem questionar os outros três, ele disse ao sábio Mah’Osadha sentado ao lado :

A ti também questiono, elevado em sabedoria, Mah’Osadha, que conhece toda a Lei : um tolo com riqueza ou um sábio com poucas provisões, qual dos dois, pessoas inteligentes consideram a melhor ?

Então o Grande Ser respondeu, “Escute, Ó rei :

O tolo comete atos pecaminosos, pensando ‘Neste mundo sou o melhor’ ; ele olha para este mundo e não para o próximo e pega o pior de ambos. Olhando isto digo : O sábio é melhor que o tolo rico.

Isto dito, o rei olhou para Senaka : “Bem, você vê Mah’Osadha dizer que o sábio é melhor.” Senaka, disse, “Sua majestade, Mah’Osadha é uma criança ; mesmo agora sua boca cheira a leite. O quê ele pode saber ?” e recitou uma estrofe :

Ciência não produz riqueza, nem família ou beleza pessoal. Olhe aquele idiota do Gorimanda grandiosamente próspero porque a Fortuna favoreceu o tratante. Olhando isto digo : O sábio é medíocre, o rico é melhor.

Escutando isto o rei disse, “E agora, Mah’Osadha meu filho ?” Ele respondeu, “Meu senhor, o quê Senaka sabe ? Ele é qual corvo onde se espalhou arroz, qual cachorro tentando lamber leite : olha a si mesmo mas não vê a vara que esta pronta a cair sobre sua cabeça. Escute meu senhor,” e ele recitou esta estrofe :

Aquele que é de pouco entendimento, quando consegue riqueza, está intoxicado : atingido pelo infortúnio fica estupidificado : atingido por má ou boa fortuna segundo seja a sorte, ele retorce-se como peixe em Sol quente. Olhando isto digo : O sábio é melhor que o tolo rico.

Agora então, Mestre !” disse o rei escutando isto. Senaka disse, “Meu senhor, o quê ele sabe ? Sem falar de pessoas, é a boa árvore cheia de frutos para a qual os pássaros vão,” e ele recitou esta estrofe :

Como na floresta, os pássaros reúnem-se de todos os cantos n’árvore que tem frutos doces, assim ao homem rico que tem tesouros e riquezas aglomeram-se bandos juntos para seu benefício. Olhando isto digo : O sábio é medíocre, o rico é o melhor.

Bem, meu filho, é agora ?” o rei perguntou. O sábio respondeu, “O quê aquele barriga de balde sabe ? Escute meu senhor,” e recitou esta estrofe :

O tolo poderoso não faz bem em ganhar riqueza pela violência ; rugindo alto como gosta, eles ( nirayapala, guardiões dos ínferos ) carregam o simplório para os ínferos. Olhando isto digo : O sábio é melhor que o tolo rico.

Novamente o rei disse, “Bem, Senaka ?” ao que Senaka respondeu :

Qualquer corrente que se derrame no Ganges, todas estas perdem seus nome e espécie. O Ganges derramando-se no mar, não mais se distingue. Assim o mundo é dedicado à riqueza. Olhando isto digo : O sábio é medíocre, o rico é melhor.

Novamente o rei disse, “Bem, sábio ?” e ele respondeu, “Escute, Ó rei !” com um par de estrofes :

Este poderoso oceano do qual ele fala, dentro do qual fluem rios inumeráveis, este mar batendo incessantemente nas praias não podem nunca ultrapassá-las apesar de ser poderoso oceano. Assim é com o palavrório do tolo : sua prosperidade não pode ultrapassar a do sábio. Olhando isto digo : O sábio é o melhor que o próspero tolo.

Bem, Senaka ?” disse o rei. “Escute, Ó rei !” disse ele e recitou esta estrofe :

Uma pessoa rica em alta posição pode não ter autocontrole mas se fala algo para os outros, sua palavra tem peso no meio do seu Povo ; mas sabedoria não tem este efeito para a pessoa sem riqueza. Olhando isto digo : O sábio é medíocre, o rico é melhor.

Bem, meu filho ?” disse o rei novamente. “Escute senhor ! O quê o estúpido do Senaka sabe ?” e recitou esta estrofe :

Para o benefício de outro ou seu próprio, o tolo e de pouco entendimento fala falsamente ; ele é envergonhado no meio da companhia e com isto entra em miséria. Olhando isto digo : O sábio é melhor que o rico tolo.

Depois Senaka recitou uma estrofe :

Mesmo que alguém seja de grande sabedoria mas sem arroz ou grãos e carente, diga alguma coisa, sua palavra não tem peso no meio de seu Povo, e prosperidade não vem para pessoa devido a seu conhecimento. Olhado isto digo : O sábio é medíocre, o rico é melhor.

Novamente o rei disse, “O que diz você a isto, meu filho ?” E o sábio respondeu, “O quê Senaka sabe ? Ele olha este mundo não o próximo,” e recitou esta estrofe :

Não para seu bem nem para de outrem, fala uma mentira a pessoa de grande sabedoria ; ele é honrado no meio da assembleia e na vida futura seguirá feliz. Olhando isto digo : O sábio é melhor que o tolo rico.

Então Senaka recitou uma estrofe :

Elefantes, gado, cavalos, brincos em joias, mulheres, encontram-se em famílias ricas ; isto tudo é para o gozo da pessoa rica sem poderes sobrenaturais. Olhando isto digo : O sábio é medíocre, o rico é melhor.

O sábio disse, “O quê ele sabe ?” e continuando a explicar o assunto recitou esta estrofe :

O tolo que obra atos sem pensar e fala palavras tolas, o não sábio, é jogado fora pela Fortuna como a serpente joga fora a pele velha. Olhando isto digo : O sábio é melhor que o tolo rico.

E agora ?” perguntou o rei então ; e Senaka disse, “Meu senhor, o quê pode este pequeno garoto saber ? Escute !” e ele recitou esta estrofe, pensando que silenciaria o sábio :

Somos cinco sábios, venerável senhor, todos te servindo com gestos de respeito ; e tu és nosso senhor e mestre, qual Sakra, senhor das criaturas, rei dos deuses. Olhando isto digo : O sábio é medíocre, o rico é melhor.

Quando o rei escutou isto ele pensou, “Isto foi bem colocado por Senaka ; cogito se meu filho será capaz de refutar isto e dizer algo mais.” Então perguntou-lhe, “Bem, sábio senhor, e agora ?” mas este argumento de Senaka não havia ninguém capaz de refutá-lo exceto o Bodhisatva ; então o Grande Ser refutou-o dizendo “Senhor, o quê este tolo sabe ? Ele olha apenas para si mesmo e não conhece a excelência da sabedoria. Escute, senhor,” e ele recitou esta estrofe :

O tolo rico é apenas escravo da pessoa sábia quando questões deste tipo surgem ; quando o sábio resolve-a inteligentemente, então o tolo cai em confusão. Olhando isto digo : O sábio é melhor que o tolo rico.

Como se espalhasse areia dourada no sopé do Sineru, como se levasse a lua cheia alto no céu, assim ele estabeleceu este argumento, assim o Grande Ser mostrou sua sabedoria. Então o rei disse a Senaka, “Bem, Senaka, cubra esta se podes !” Mas como alguém que usou todo o milho do celeiro, ele sentou sem resposta, perturbado, lamentando-se. Se pudesse produzir outro argumento, mesmo mil estrofes não terminaríamos este Jataka. Mas quando ele permaneceu sem resposta, o Grande Ser continuou com esta estrofe em louvor à sabedoria, como se derramasse águas torrenciais :

Verdadeiramente sabedoria é estimada pelos bons ; riqueza é amada porque as pessoas são devotas do prazer. O conhecimento dos Buddhas é incomparável e riqueza nunca suplantará sabedoria.

Escutando isto o rei ficou tão agraciado com a solução da questão pelo Grande Ser que ele o presenteou com uma chuva de riquezas e recitou uma estrofe :

O que quer que pergunte ele me responde, Mah’Osadha o único pregador da Lei. Mil vacas, um touro e um elefante e dez carruagens puxadas por puro sangue e dezesseis excelentes cidades, aqui te dou, agradecido com tua resposta à questão.

( Aqui termina a Questão do Rico e do Pobre )



terça-feira, 24 de maio de 2016

499 Buddha Rei Sivi



 







 
  (Acima o Rei Sivi sem os olhos e abaixo a distribuição de ofertas com versão à cores ; pinturas de Ajanta )

499
Se houver algum ...etc.” - Esta história o Mestre contou enquanto residia em Jetavana sobre o presente, oferta, incomparável. A circunstância foi amplamente contada no Jataka 424. Mas aqui, o rei, no sétimo dia, ofertou todos os requisitos e pediu agradecimentos ; mas o Mestre saiu sem agradecê-lo. Após o lanche o rei foi ao mosteiro e disse, “Por quê não agradeceste, Senhor ?” O Mestre disse, “O povo estava impuro, sua majestade.” Ele continuou declarando a Lei, recitando a estrofe que começa “Para o céu o avarento não irá ( Dhammapada, 177 )”. O rei, agradecido de coração, fez reverência ao Tathagata presenteando-o com um manto da país Sivi ( Sibi ) válido mil peças de dinheiro ; depois ele voltou para a cidade.

Dia seguinte falavam disto no Salão da Verdade : “Senhores, o rei de Kosala deu o presente incomparável : e não contente com isto, quando o Dasabala discursou para ele, o rei deu-lhe um roupa de Sivi válida de mil peças ! Como o rei é insaciável em ofertar, com certeza !” O Mestre entrou e questionou o quê conversavam lá sentados : eles lhe disseram. Ele falou, “Irmãos, coisas materiais, exteriores, são aceitáveis, verdadeiras : mas sábios antigos, que deram presentes até toda a Índia soar novamente com a fama deles, cada dia distribuindo aproximadamente seiscentas mil peças de dinheiro, estavam insatisfeitos com presentes exteriores ; e lembrando o provérbio, ‘Dê o quê te é caro e o amor surgirá’, eles, mesmo aos olhos arrancaram e deram àqueles que pediram.” Com estas palavras, ele contou uma história do passado.

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Certa vez, quando o poderoso Rei Sivi reinava na cidade de Aritthapura no reino de Sivi, o Grande Ser nasceu como seu filho. Eles o chamaram de Príncipe Sivi. Quando ele cresceu, ele foi para Takkasila ( Taxila ) e estudou lá; voltando ele mostrou seu conhecimento a seu pai o rei e por ele foi feito vice-rei. Com a morte de seu pai tornou rei ele mesmo e, abandonando os caminhos do mal, ele guardou as Dez Virtudes Reais e legislou com retidão. Ele fez com que se construísse seis salões de ofertas, nos quatro portões, no meio da cidade, e na sua própria porta. Ele foi munificente em distribuir cada dia seiscentas mil peças de dinheiro. No oitavo, décimo quarto e décimo quinto dias ele nunca faltava de visitar os salões de ofertas para ver a distribuição ser feita.

Uma vez no dia da lua cheia, o parassol de estado foi levantado cedo de manhã e ele sentou no trono real pensando sobre os presentes que dera. Pensou ele consigo mesmo, “De todas as coisas exteriores não há nenhuma que não dei ; mas este tipo de oferta não me contenta. Quero doar algo que seja parte de mim mesmo. Bem, neste dia indo para o salão de ofertas, faço o voto de que se alguém me pedir algo não fora de mim mesmo mas nomear algo que seja parte de mim mesmo, - mesmo se mencionar meu coração, cortarei meu peito com uma lança e como se estivesse carregando um lírio d’água, caule e tudo, de um lago tranquilo, arrancarei meu coração pingando de sangue e darei a ele : se mencionar a carne do meu corpo, cortarei fora a carne do corpo e a darei, como se estivesse gravando com um instrumento de gravação : que se mencione meu sangue, darei meu sangue pingando em sua boca ou enchendo uma tigela : ou se alguém disser, não consigo que façam meu serviço doméstico, venha e me faça a parte do empregado em casa, então largarei minha veste real e ficando fora, proclamarei a mim mesmo empregado e farei trabalho de empregado : se alguém pedir meus olhos, arrancarei para fora meus olhos e os darei, como alguém que arranca o âmago de uma palmeira.” Assim ele pensou consigo mesmo :

Se houver algum presente humano que nunca ofertei,
Seja meus olhos, darei agora, inteiramente firme e sem medo.

Então ele se banhou com dezesseis cântaros de água perfumada e adornou-se em toda magnificência e após refeição de comida fina ele montou no elefante ricamente ajaezado e foi para o salão de oferta.
Sakra percebendo sua resolução pensou, “Rei Sivi está determinado a doar seus olhos a qualquer um que vier os pedir. Será ele capaz de fazer isto ou não ?” Determinou testá-lo ; e, na forma de um brahmin velho e cego, postou-se em um lugar alto e quando o rei veio para seu salão de ofertas ele esticou sua mão e ficou gritando, “Vida longa ao rei !” Então o rei dirigiu o elefante até ele e disse, “O quê disseste brahmin ?” Sakra disse a ele, “Ó grande rei ! Em todo o mundo habitado não há nenhum lugar onde a fama de seu coração munificente não tenha soado. Sou cego e você tem dois olhos.” Então ele repetiu a primeira estrofe, pedindo por um olho :

Para pedir um olho o velho vem de longe pois não tenho nenhum :
Ó, me dê um dos teus, prego, então teremos cada um um.

Quando o Grande Ser escutou isto, ele pensou, “Pois isto é justo o quê estava pensando em meu palácio antes de vir ! Que chance boa ! O desejo de meu coração será preenchido ho-je ; darei um presente que ninguém nunca deu.” E ele recitou a segunda estrofe :

( As estrofes seguintes devem ser lidas duas a duas, como facilmente pode ser visto. )

Sujampati entre os deuses, o mesmo
Aqui entre as pessoas chamado Maghava de nome,
Ele me ensinou a seguir nesta direção meu caminho,
Pedir e por um olho clamar, insistir.

O maior de todos os presentes que peço.
Me dê um olho ! Ó, não me diga não !
Dê-me um olho, o presente entre os presentes,
Tão difícil para as pessoas desfazer-se, como dizem !

O desejo que te traz aqui, o desejo que surgiu
Dentro de ti, seja este desejo realizado. Aqui, brahmin, tome meus olhos.

Um olho tu me pedes : veja, te dou dois !
Vá com boa visão, à vista de todo o Povo ;
Seja teu desejo cumprido e agora realizado.

Tal disse o rei. Mas pensando que não era adequado que ele arrancasse os olhos e os concedesse lá então, ele trouxe o brahmin para dentro com ele e sentando no trono real, mandou chamar um cirurgião de nome Sivaka. “Retire meus olhos,” ele disse então.
Bem, toda a cidade soava com a novidade de que o rei desejava arrancar os olhos e dá-los a um brahmin. Então o comandante-em-chefe e todos os outros oficiais, e aqueles amados pelo rei, reuniram-se da cidade e do harém e recitaram três estrofes, em que eles tentavam afastar o rei desta intenção :

Ó, não dê teus olhos, meu senhor ; não nos abandone, Ó rei !
Dê dinheiro, pérolas e coral e coisas muitas preciosas :

Dê corcéis ajaezados, rodem as carruagens para fora,
Ó rei, dirija os elefantes todos elegantes com roupas douradas :

Dê isto, Ó rei ! Para que possamos te preservar são e salvo,
Teu Povo fiel, com nossos carros e carruagens alinhados ao redor.

Com isto o rei recitou três estrofes :

A alma que, tendo jurado doar, é depois encontrada sem fé,
Coloca seu próprio pescoço dentro de uma armadilha escondida embaixo no chão.

A alma que, tendo jurado doar, é depois encontrada sem fé,
É mais pecadora que o pecado e ele à casa de Yama está atado.

Sem ser pedido nada dê ; nem dê a coisa não pedida,
Isto portanto que o brahmin pede, dou imediatamente.

Então os cortesãos perguntaram, “O quê desejas doando os olhos ?” repetiram a estrofe :

Vida, beleza, alegria ou força – qual é o prêmio,
Ó rei, qual motivo teu gesto produz ?
Por quê deveria o rei da terra Sivi, supremo
Pelo bem da vida futura, doar seus olhos ?

O rei respondeu-lhes em uma estrofe :

Em doar assim, glória não é meu objetivo,
Nem filhos, nem riqueza, ou reinos controlar :
Este é o bom antigo caminho das pessoas santas ;
Minha alma ama fazer ofertas.

Às palavras do Grande Ser os cortesãos nada responderam ; então o Grande Ser dirigiu-se a Sivaka o cirurgião em uma estrofe :

Um amigo e camarada, Sivaka, tu és :
Faço como te peço – tens habilidade suficiente -
Retire meus olhos, pois este é meu desejo,
E nas mãos do mendicante entregue-os agora.

Mas Sivaka disse, “Pense, meu senhor, dar os olhos não é coisa à toa.” - “Sivaka, já pensei ; não demore, nem fale muito na minha presença.” Então ele pensou, “Não é apropriado que um cirurgião habilidoso como eu deva cortar os olhos do rei com o bisturi,” então ele pesou algumas substâncias, esfregou o pó numa lótus azul e escovou com isto o olho direito : o olho rolou e houve grande dor. “Reflita, meu rei, posso acertar tudo.” - “Continue, meu amigo, não retarde, por favor.” Novamente ele esfregou o pó e escovou sobre o olho : o olho saltou da órbita, a dor foi pior que antes. “Reflita, meu rei, ainda posso restaurá-lo.” - “Seja rápido com o serviço !” Uma terceira vez ele esfregou o pó ácido aplicando-o : pelo poder da droga o olho rolou, saindo fora da órbita pendurando-se na extremidade do tendão. “Reflita, meu rei, ainda posso restaurá-lo novamente.” -”Seja rápido.” A dor foi extrema, sangue pingava, as roupas do rei estava manchadas de sangue. As mulheres do rei e os cortesãos caíram aos pés dele, gritando, “Meu senhor, não sacrifique teus olhos !” alto chorando e lamentando. O rei resistiu à dor e disse, “Meu amigo, seja rápido.” “Muito bem, meu senhor,” disse o médico ; e com sua mão esquerda segurando o globo ocular pegou uma faca com a direita e cortando o tendão colocou o olho na mão do Grande Ser. Ele, olhando com seu olho esquerdo para o direito e aguentando a dor, disse, “Brahmin, venha aqui.” Quando o brahmin aproximou-se, ele continuou - “O olho da onisciência é mais caro que este olho cem vezes, não, mil vezes : aí está a razão para minha ação,” e o deu para o brahmin, que o levantou e colocou em sua própria órbita ocular. Lá permaneceu fixo através de seu poder como uma lótus azul aberta. Quando o Grande Ser com seu olho esquerdo viu aquele olho na cabeça do outro, ele gritou - “Ah, como é bom este meu presente de um olho !” e todo arrepiado com a alegria que surgiu dentro dele, deu também o outro olho. Sakra colocou este também no lugar de seu próprio olho e partiu do palácio do rei, depois da cidade, com o olhar da multidão sobre ele e foi para o mundo dos deuses.

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O Mestre, explicando isto, repetiu uma estrofe e meia :

Assim Sivi incitou Sivaka e cumpriu o que tinha em mente.
Ele tirou os olhos do rei fora e os entregou para o brahmin :
E agora o brahmin tinha os olhos e o rei estava cego.

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Em pouco tempo os olhos do rei começaram a crescer ; enquanto cresciam e antes de alcançarem o topo dos orifícios, uma massa de carne surgiu dentro como uma bola de lã, preenchendo a cavidade ; eles eram como olhos de boneca mas a dor cessou. O Grande Ser ficou no palácio alguns dias. Então ele pensou, “O quê um cego tem a ver com legislar ? Transmitirei o reino para os cortesãos, irei para o parque e me tornarei asceta vivendo como homem santo.” Ele reuniu seus cortesãos e contou a eles sua intenção. “Uma pessoa,” ele disse, “deve ficar comigo, para lavar meu rosto e assim por diante fazendo o que é devido e vocês devem amarrar uma corda para me guiar para os lugares de descanso.” Chamando então seu auriga, ordenou-o que preparasse a carruagem. Mas os cortesãos não permitiriam que fosse de carruagem ; eles o levaram para fora numa liteira dourada e o colocaram às margens do lago, e então, guardando-o ao redor, retornaram. O rei sentou na liteira pensando sobre seu presente.

Naquele momento o trono de Sakra ficou quente ; e ele ponderando percebeu a razão. “Oferecerei um dom ao rei,” pensou ele, “e farei seu olho ficar são novamente.” Então para aquele lugar ele veio ; e não distante do Grande Ser, ele andava para cima e para baixo, para cima e para baixo.

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Para explicar isto o Mestre recitou estas estrofes :

Poucos dias passaram ; os olhos começaram a se curar e aparecer :
O rei da terra Sivi então chama seu auriga.

Prepare a carruagem, auriga ; faça-me saber :
Vou para o parque, lago, floresta com lírios que crescem’.

Ele o sentou numa liteira às margens do lago e aí
Sujampati , o rei dos deuses, grande Sakra, apareceu.

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Quem está aí ?” gritou o Grande Ser, quando escutou o som do passos. Sakra repetiu uma estrofe :

Sakra, o rei dos deuses, eu sou ; vim visitar você :
Escolha um dom, Ó sábio real ! O quê quer que teu desejo possa nomear.

O rei respondeu com outra estrofe :

Riqueza, força, e tesouros sem fim, estes deixei para trás :
Ó Sakra, morte e nada mais desejo : pois sou cego.

Então Sakra disse, “Você pede a morte, Rei Sivi, porque desejas morrer ou porque estás cego ?” - “Porque estou cego, meu senhor.” - “O presente não é tudo em si mesmo, sua majestade, ele é dado com um olho no futuro. Contudo há um motivo relacionado a este mundo visível. Bem, te pediram um olho e deste dois ; faça um Ato de Verdade sobre isto.” Então ele começou uma estrofe :

Ó guerreiro, senhor dos bípedes, declare o quê é a verdade :
Se declarares a verdade, teu olho será restaurado para ti.

Escutando isto, o Grande Ser respondeu, “Se você deseja me dar um olho, Sakra, não tente outros meios mas deixe meu olho ser restaurado como consequência da minha oferta.” Sakra disse, “Apesar de me chamarem de Sakra, rei dos deuses, sua majestade, ainda assim não posso dar um olho para ninguém ; mas pelo fruto da oferta por ti feita, e por nada mais, teu olho pode ser restaurado para ti.” Então o outro repetiu uma estrofe, mantendo que sua oferta foi bem oferecida :

Qualquer espécie, qualquer tipo de requerente que se aproxime,
Quem quer que venha me pedir algo, este ao meu coração é caro :
Se estas minhas palavras solenes são verdadeiras, que meu olho apareça agora !

Enquanto ele pronunciava as palavras, um dos seus olhos cresceu na órbita. Então ele repetiu um par de estrofes para restaurar o outro :

Um brahmin veio me visitar, um dos meus olhos rogava :
Para aquele brahmin mendicante dei o par deles.

Uma grande alegria mais satisfação aquela ação propiciou.
Se estas palavras solenes são verdadeiras, restaure-se o outro olho !

Imediatamente apareceu seu segundo olho. Mas estes olhos dele não eram nem naturais nem divinos. Um olho dado por Sakra qual brahmin, não pode ser natural, sabemos ; por outro lado, um olho divino não pode ser produzido em nada que esteja machucado. Mas estes olhos são chamados os olhos da Verdade Absoluta e Perfeita. Naquele tempo quando veio à existência, todo o cortejo real foi reunido pelo poder de Sakra ; e Sakra de pé no meio do ajuntamento, pronunciou louvor em um par de estrofes :

Ó filho da terra Rei de Sivi, estes hinos santos teus
Te fez ganhar como fruto da graça este par de olhos

Através da rocha e parede, acima do monte e no vale, qualquer barreira que seja.
Cem léguas para todo lado estes teus olhos veem.
Tendo pronunciado estas estrofes pousado no ar diante da multidão, com um último conselho para o Grande Ser de que ele devia ser vigilante, Sakra retornou para o mundo dos deuses. E o Grande Ser, cercado por seu cortejo, voltou em grande pompa para a cidade e entrou no palácio chamado Candaka, Olho do Pavão. As novidades de que ele conseguiu seus olhos novamente espalhou-se por todo o Reino de Sivi. Todas as pessoas reuniram-se para vê-lo com presentes em suas mãos. “Agora que toda esta multidão está reunida,” pensou o Grande Ser, “devo louvar a oferta que fiz.” Fez com que se colocasse um grande pavilhão no portão do palácio, onde se sentou no trono real, com o parassol branco aberto sobre ele. Então o tambor foi enviado pela cidade a bater, para coletar de todas as guildas de comércio. Então ele disse, “Ó Povo de Sivi ! Agora que vocês viram estes divinos olhos, nunca comam comida sem ofertar um pouco !” e ele repetiu quatro estrofes, declarando a Lei :

Quem, questionado a doar, responderia não,
Mesmo sendo seu dom melhor e mais caro ?
Povo de Sivi reunido em concurso !
Venham aqui, vejam o dom de Deus, meus olhos !

Através da rocha e parede, acima do monte e no vale, qualquer barreira que seja.
Cem léguas para todo lado estes meus olhos veem.
Auto sacrifício em todas as pessoas mortais viventes,
De todas as coisas é a mais preciosa :
Sacrifiquei um olho mortal ; e doando
Recebi um olho divino.

Veja, Povo ! Veja, doe antes de comer, deixeis outros ter uma parte.
Isto feito com tua melhor vontade e cuidado,
Sem culpa para o céu afluireis.

Nestes quatro versos ele declarou a Lei ; e após isto, toda quinzena, no dia santo, ele declarava a Lei com estes mesmos versos sem cessar para um grande aglomerado do Povo. Escutando isto, o Povo fazia ofertas e obras boas e foi preencher as hostes celestes.

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Quando o Mestre terminou este discurso, ele disse, “Assim Irmãos, sábios antigos doavam a quem viesse, quem não estava contente com presentes exteriores, mesmo seus próprios olhos arrancavam da cabeça.” Então ele identificou o Jataka : “Naquele tempo ananda era Sivaka o médico, Anurudha era Sakra, os seguidores do Buddha eram o Povo e eu mesmo era Rei Sivi.”







segunda-feira, 11 de abril de 2016

498 Buddha e Ananda




           ( Buddha e Ananda, Ajanta )


498
Toda boa ação...etc.”- Esta história o Mestre contou enquanto residia em Jetavana, sobre dois sacerdotes seguidores de Maha Kassapa, que viviam felizes juntos. Este par, nos é dito, eram muito amigos e dividiam todas as coisas com a maior justiça : mesmo quando andavam em coleta de ofertas, juntos saíam e juntos chegavam e não suportavam ficar separados. No Salão da Verdade sentavam os Irmãos, louvando amizade deles, quando o Mestre chegou e perguntou o quê conversavam lá sentados. Eles disseram ; e ele respondeu, “A amizade deles em uma existência, Irmãos, não tem nada de extraordinário ; pois sábios antigos guardavam amizade inquebrável durante três ou quatro existências diferentes.” Assim falando ele contou-lhes uma história do passado.

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Certa vez, no reino de Avanti, na cidade de Ujjeni, reinava um grande rei chamado Rei Avanti. Naquele tempo, uma vila Candala existia fora de Ujjeni e lá o Grande Ser nasceu. Outra pessoa nasceu, o filho da irmã da sua mãe. Um destes dois foi chamado Citta e o outro Sambhuta.

Estes dois quando cresceram, tendo aprendido a arte de varrer da casta Candala, pensaram que um dia iriam ao portão da cidade e apresentariam esta arte. Então um deles se apresentou no portão norte e o outro no leste. Bem, nesta cidade haviam duas mulheres sábias em augúrios de visão, uma filha do mercador e outra do capelão. Elas foram ao parque se divertir, tendo encomendado comida macia e dura, guirlandas e perfumes ; e aconteceu que um saiu pelo portão norte e outra pelo leste. Vendo os dois jovens candalas apresentarem sua arte as garotas perguntaram “Quem são estes ?” Candalas” foram informadas. “isto é um mal agouro aos olhos !” disseram, e após lavá-los com água perfumada, voltaram. Então a multidão gritou, “Ó vis outcasts, vocês nos fizeram perder comida e bebida que não nos custariam nada !” Bateram nos dois primos e causaram-lhes muita miséria e dano. Quando recobraram seus sentidos, levantaram-se e se uniram e contaram cada um ao outro a dor que lhe caiu-lhe sobre, choros e gemidos e cogitaram o quê fazer. “Toda esta miséria caiu sobre nós,” pensavam, “devido a nosso nascimento. Nunca seremos capazes de ser Candalas ; vamos esconder nosso nascimento e ir para Takkasila ( Taxila) disfarçados de jovens brahmins e estudar lá.”Tendo tomado esta decisão, foram para lá, e seguiram seus estudos na disciplina ( lei, dharma ) de um mestre famoso. Um rumor soprou por toda a Índia que dois jovens candalas eram estudantes, e escondiam seus nascimentos. O sábio Citta teve sucesso nos estudos mas Sambhuta não.

Um dia um cidadão convidou o professor, na intenção de oferecer comida aos brahmins. Bem, aconteceu de chover naquela noite e encher todos os buracos na estrada.Cedo de manhã o professor chama Citta e diz, “Meu rapaz, não posso ir, vá junto com os jovens e pronuncie a benção, coma o quê conseguir para você e traga para casa o quê houver para mim.” Concordemente e levou os jovens brahmins e foram. Enquanto os jovens lavavam suas bocas, o Povo preparava mingau de arroz, que ofereceram pronto para eles, dizendo, “Deixe esfriar.” Antes que estivesse frio os jovens sentaram. O Povo lhes deu àgua da oferta e colocou as tigelas diante deles. O entendimento de Sambhuta estava algo confuso e imaginando que estivesse frio pegou uma bola de arroz e colocou na boca mas o queimou como uma bola quente de metal. Em sua dor saiu de si e olhando o sábio Citta, disse em dialeto Candala, “Quente, né ?” O outro esqueceu-se também e respondeu no seu linguajar,”Cuspa fora, cuspa fora.” Com isto os jovens todos se olharam uns para os outros e disseram, “Que língua é esta ?” Sábio Citta pronunciou a benção.

Quando os jovens chegaram em casa, reuniram-se em pequenos grupos e sentaram aqui e lá discutindo as palavras usadas. Descobrindo que era o dialeto dos Candalas, gritaram com eles , “Ó vis outcasts ! Vocês estavam nos enganando este tempo todo e fingindo que eram brahmins !” E bateram em ambos. Um bom homem os os mandou para fora dizendo, “Fora ! A mancha no sangue ( blot in the blood ). Saiam.Vão para algum lugar e se tornem ascetas.” Os jovens brahmins contaram ao professor que estes dois eram Candalas.

O par saiu para a floresta e lá tomaram a vida ascética e após não muito tempo morreram e nasceram novamente como filhotes de uma cerva nas margens do Nerañjara. Desde o nascimento sempre seguiam juntos. Um dia, Um dia, quando já tinham se alimentado, um caçador os espreitou debaixo d'árvore ruminando e abraçando-se
muito felizes, de cabeça focinho e chifres unidos. Ele jogou uma azagaia neles, e os matou ambos com um único golpe.

Em seguida sábio Citta nasceu em Kosambi,como filho do capelão ; o sábio Sambhuta nasceu como o filho do rei de Uttarapañcala. Desde o batismo eles podiam lembrar seus nascimentos anteriores. Mas Sambhuta não era capaz de lembrar todos sem quebras e tudo que lembrava era o quarto, o nascimento Candala ; Citta contudo lembrava de todos os quatro na ordem devida. Quando Citta estava com dezesseis anos de idade, ele saiu e tornou-se asceta no Himalaia e desenvolveu a Faculdade do ênstase religioso e habitava na benção do transe enstático. Sábio Sambhuta após a morte do pai teve o Parassol aberto sobre si e no dia mesmo da cerimônia do Parassol, no meio de grande multidão, fez um hino cerimonial e pronunciou duas estrofes em aspiração. Quando escutaram, as esposas reais e os músicos, todos cantaram,dizendo, “O hino da coroação de nosso próprio rei !” e no passar do tempo todos os cidadãos cantavam, como o hino que o rei gostava. Sábio Citta,em sua moradia no Himalaia, cogitava se seu irmão Sambhuta assumiu o Parassol ou não. Percebendo que sim, pensou, “Nunca serei capaz de instruir um governante jovem ; mas quando ele estiver velho o visitarei para o persuadir a se tornar asceta.” Por cinquenta anos ele não foi e neste tempo o rei tinha crescido em filhos e filhas ; então com seu poder sobrenatural ele foi e pousou no parque e sentou no assento cerimonial como uma imagem dourada. Justo então um rapaz catava lenha e enquanto fazia isto cantava aquele hino. Sábio Citta chamou-o para que se aproximasse ; ele veio fazendo reverência e esperou. Citta disse a ele, “Desde cedo de manhã você está cantando este hino ; não conheces outro ?” - “Oh, sim, senhor, conheço muitos outros mas estes são os versos que o rei gosta, por isto não canto os outros.” - ”Há alguém que possa cantar uma estrofe para o hino do rei ?” - “Não, senhor.” - “você poderia ?” - “Sim, se me for ensinada uma.” - “Bem, quando o rei cantar estas duas estrofes, você canta esta a guisa de terceira,” e ele recitou um hino. “Bem,” disse ele, “Vá e cante isto diante do rei e o rei ficará agraciado com você e te elevará por causa disto.” O rapaz dirigiu-se rapidamente até a mãe e aprontou-se impecavelmente ; e na porta do rei enviou mensagem que um rapaz cantaria para ele uma estrofe do seu hino. O rei disse, “Deixe-o se aproximar.” Quando o rapaz veio e o saudou cotejou o rei, “Dizem-me que você me cantará uma resposta ao meu hino ?” “Sim, meu senhor,” disse ele, “traga toda a corte para escutar.” Logo que a corte estava reunida, o rapaz disse, “Cante teu hino, meu senhor, e te responderei com o meu.” O rei repetiu um par de estrofes :

Toda ação boa produz fruto cedo ou tarde,
Nenhum ato sem resultado, nada em vão :
Vejo Sambhuta poderoso, grande e crescido
Assim suas virtudes produzem fruto novamente.

Toda ação boa produz fruto cedo ou tarde,
Nenhum ato sem resultado, nada em vão.
Quem sabe se Citta também pode ser grande,
E como eu mesmo, seu coração lhe trouxe ganho ?

No final deste hino, o rapaz cantou a terceira estrofe :

Toda ação boa produz fruto cedo ou tarde,
Nenhum ato sem resultado, nada em vão.
Contemple, meu Senhor, veja Citta no portão,
E como ti mesmo, seu coração lhe trouxe ganho.

Escutando isto o rei repetiu a quarta estrofe :

Então és tu Citta, ou escutaste a história,
Dele ou outro te fez conhecer ?
Teu hino é melodioso : nada temo ;
Uma cidade e cem dinheiros te concedo.

O rapaz repetiu a quinta estrofe :

Não sou Citta mas escutei a coisa.
Foi um sábio que me deu este comando -
Vá e recite uma resposta ao rei,
E seja premiado pela mão grata dele.

Escutando isto, o rei pensou, “Deve ser meu irmão Citta ; agora irei e o verei” ; deu as ordens a seus homens nas palavras destas duas estrofes :


Venham, atrelem as carruagens reais, tão finamente trabalhadas e construídas.
Engrinaldem com guirlandas os elefantes, em colares brilhantes arreados.

Batam tambores de alegria e e deixem as conchas serem sopradas,
Para mim a carruagem mais rápida :
Pois saio para aquele eremitério,
Para ver o sábio que senta lá dentro, neste dia.

Assim ele falou ; então subindo na rica carruagem, saiu rapidamente para o portão do palácio. Lá parou a carruagem e aproximou-se do sábio Citta com uma reverência e sentou em um dos lados ; altamente agraciado recitou a oitava estrofe :

Um hino precioso eu cantava bem melodioso
Enquanto multidão aglomerada ao redor me pressionava ;
Agora a este sábio santo venho saudar
E tudo é alegria e satisfação em meu coração.

Feliz no instante que viu sábio Citta, deu todas as ordens necessárias, mandando que se preparasse um assento para seu irmão e repetiu a nona estrofe :

Aceite um assento e para seus pés água fresca : é direito
Oferecer comidas a convidados : aceite, pois convidamos.

Após este doce convite, o rei repetiu outra estrofe, oferecendo-o metade do reino :

Vamos então alegrar o lugar onde morarás,
Multidões de mulheres te servindo ;
Ó, deixem-me te mostrar que gosto de ti,
E reis juntos aqui sejamos.

Quando escutou estas palavras, sábio Citta discursou para ele em seis estrofes :

Vendo o fruto das ações ruins, Ó rei,
Vendo o ganho que ações boas trazem,
Satisfeito exercito rígido auto controle,
Filhos, riqueza e gado não podem encantar minh'alma.

Dez décadas tem esta vida mortal, que sucede uma a uma :
Este limite alcançado, o ser humano seca rápido qual caniço quebrado.

Então o quê é prazer, amor, caçar riquezas, para mim ?
O quê filhos e filhas ? Saiba, Ó rei, sou livre de grilhões.

Pois isto é verdade, sei bem – morte não me ignorará :
E o quê é amor, o quê é riqueza, quando deves morrer ?

A raça mais baixa que anda em dois pés
São os Candalas, os mais vis sobre a terra,
Quando todas as nossas ações estavam maduras, qual prêmio de encontro
Nós dois como jovens Candalas tivemos nossos nascimentos.

Candalas na terra Avanti, cervos em Nerañjara, águias pescadoras em Nerbudda, agora brahmin e Kshatria.

Tendo assim tornado claro seus nascimentos baixos, aqui também neste nascimento ele declara a impermanência das coisas criadas e recita quatro estrofes para fazer surgir uma força :

Vida é curta e o fim deve ser a morte :
O velho não tem onde se esconder e fugir.
Então, Ó Pañcala, o que te peço, faça :
Evite todos os atos que fazem crescer sofrimento.

Vida é curta e o fim deve ser a morte :
O velho não tem onde se esconder e fugir.
Então, Ó Pañcala, o que te peço, faça :
Evite todos os atos cujo fruto é sofrimento.

Vida é curta e o fim deve ser a morte :
O velho não tem onde se esconder e fugir.
Então, Ó Pañcala, o que te peço, faça :
Evite todos os atos manchados de paixão.

Vida é curta e o fim deve ser a morte :
A velhice vai exaurir nossa força.
Então, Ó Pañcala, o que te peço, faça :
Evite todos os atos que levam ao mais baixo ínfero.

O rei alegrou-se enquanto o Grande Ser falava e repetiu três estrofes :

Verdadeira é esta palavra, Ó Irmão ! Que dizes,
Tu qual homem santo tuas palavras injunge :
Mas meus desejos são duros de jogar fora,
Por tal como eu ; eles são grandes.

Como elefantes afundados em mangue
Não podem subir para terra apesar de vê-la
Assim, afundado no atoleiro do forte desejo
No Caminho da Irmandade não posso permanecer.

Como pai ou mãe a seu filho
Aconselharia, como crescer bem e feliz ;
Aconselhe-me como felicidade é ganha,
E diga-me por qual caminho devo seguir.

Então o Grande Ser disse a ele :

Ó senhor dos homens ! Tu não podes jogar fora
As paixões comuns a humanidade :
Que teu Povo não pague taxas injustas,
Lei justa e igual possam encontrar.

Mande mensageiros ao norte, sul, leste e oeste
Convidando brahmins e ascetas :
Forneça-lhes comida e bebida, lugar para descansar,
Roupas e todos os outros requisitos.

Dê tu comida e bebida que satisfaça
Sábios e brahmins santos, cheios de fé :
Aquele que dá e legisla como nele se dispõe
Irá para o céu sem culpa após a morte.

Mas se cercado por tuas mulheres
Sentires tua paixão e desejo muito fortes,
Este verso de poesia então carregue na mente
E o cante no meio da multidão :

Nenhum telhado para cobrir o céu, deita entre cães,
Sua mãe o alimentava enquanto andava : mas ele é rei ho-je.

Tal foi o conselho do Grande Ser. Então ele disse, “Te dei o meu conselho. E agora você se torna um asceta ou não, como pensares adequado ; mas seguirei subindo para os resultados de meus próprios atos.” Então ele se elevou nos ares e sacudiu a poeira de seus pés em cima do outro e partiu para o Himalaia.E o rei viu isto e ficou movido grandemente ; e abandonou o reino para seu filho mais velho, chamou seu exército para fora e dirigiu sua face para os Himalaias.. Quando o Grande Ser escutou de sua vinda, ele foi com ajudantes sábios recebê-lo e ordenou-o para a vida religiosa e o ensinou os meios de induzir o ênstase místico. Ele desenvolveu a Faculdade da meditação mística. Assim estes dois juntos tornaram-se destinados ao mundo de Brahma.

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Quando o Mestre terminou este discurso ele disse : “Assim, Irmãos, sábios antigos continuam amigos firmes através do percurso de três ou quatro existências.” Então ele identificou o jataka : “Naquele tempo Ananda era o sábio Sambhuta e eu mesmo era o sábio Citta.”